O que já era caro vai ficar ainda mais caro: tarifaço dos EUA ameaça acesso a óleos de cannabis no Brasil

Com a retaliação prevista na Lei de Reciprocidade, os produtos importados devem subir até 50%. E agora, ANVISA?

O que já era caro pode se tornar inacessível

Pacientes brasileiros que dependem de óleos de cannabis medicinal importados estão prestes a enfrentar uma nova barreira: o aumento imediato de até 50% nos preços, provocado por uma escalada tarifária entre Brasil e Estados Unidos.

Tudo começou quando o ex-presidente norte-americano Donald Trump, sob influência da familia Bolsonaro, impôs uma tarifa punitiva de 50% sobre todos os produtos brasileiros, alegando retaliação geopolítica. Em resposta, o governo brasileiro anunciou que, se não houver possibilidade de negociação, ativará a Lei de Reciprocidade Comercial, o que deve atingir em cheio os óleos de cannabis medicinal importados dos EUA — um dos produtos mais utilizados hoje por pacientes com autismo, epilepsia, dor crônica e outras condições.

Quem paga a conta é o paciente

Com frascos que já custam entre R$ 1.500 e R$ 2.500, a aplicação da tarifa pode elevar o preço para mais de R$ 3.500 por mês. Isso em um país onde a maior parte dos usuários não tem plano de saúde e o SUS ainda não fornece o medicamento regularmente.

O cenário revela um grave problema de fundo:

O Brasil depende quase exclusivamente de produtos importados porque a ANVISA segue ignorando os óleos artesanais produzidos nacionalmente, mesmo quando são feitos por associações sob decisão judicial, com controle técnico e histórico comprovado de eficácia.

 

Falta de regulação nacional: uma escolha política

Enquanto o Estado brasileiro mantém rígidas exigências para autorizar qualquer produção nacional, como se apenas multinacionais fossem capazes de garantir qualidade, associações de pacientes e produtores artesanais são marginalizados, mesmo oferecendo produtos acessíveis e eficazes — com frascos que variam entre R$ 150 e R$ 500.

Com a crise internacional batendo à porta, fica evidente que essa postura não é técnica — é política.

O que defende a BrisaLuz?

A BrisaLuz, como associação comprometida com famílias atípicas e com a autonomia terapêutica no Brasil, defende com firmeza o reconhecimento dos óleos artesanais nacionais como parte essencial da política de saúde pública:

  • São produzidos localmente, com rastreabilidade, transparência e vínculo direto com o paciente;
  • Custam até 90% menos que os importados;
  • E são, hoje, a única alternativa viável para milhares de famílias brasileiras.

Um alerta à ANVISA e ao poder público

A guerra comercial pode fechar, de vez, as portas para o tratamento com produtos importados. A pergunta que fica:

Se a ANVISA não reconhecer os óleos artesanais agora, quando o fará? Quando o último paciente for excluído?

Enquanto isso, a resposta já existe nas comunidades, nos laboratórios solidários, nas associações familiares e no campo brasileiro.

É hora de romper com o preconceito e reconhecer: a cannabis medicinal do Brasil não precisa vir em inglês para ser legítima.

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