Saúde animal
Cannabis medicinal para pets: o que a ciência já sabe sobre o uso em cães e gatos
Pesquisas investigam o potencial dos canabinoides no tratamento complementar da dor, da osteoartrite e da epilepsia em animais.
| Cannabis medicinal, ciência e cuidado
Cannabis medicinal e cuidado veterinário
O tratamento deve ocorrer com avaliação, prescrição e acompanhamento de um médico-veterinário.
veterinária. Mas, entre resultados promissores e expectativas
divulgadas nas redes sociais, existe uma diferença importante:
o tratamento precisa ser individualizado, acompanhado e baseado
nas evidências disponíveis.
Para muitas famílias, cães e gatos não são apenas animais de
estimação. Eles participam da rotina, recebem cuidados diários e
envelhecem ao lado de seus tutores. Quando surgem dores persistentes,
convulsões ou limitações provocadas por doenças crônicas, é natural que essas famílias procurem novas possibilidades terapêuticas.
É nesse contexto que a cannabis medicinal passou a despertar o
interesse de pesquisadores, médicos-veterinários e tutores. Estudos clínicos já avaliaram principalmente o uso do canabidiol, conhecido como CBD, em cães com osteoartrite e epilepsia.
Os resultados justificam o interesse científico, mas ainda não
permitem tratar a cannabis como uma solução universal. A medicina
veterinária trabalha com espécies, metabolismos, pesos, idades,
doenças e tratamentos muito diferentes.

O sistema endocanabinoide dos animais
Dor, atividade neurológica, apetite, inflamação e equilíbrio do organismo
Como os canabinoides atuam no organismo dos pets?
Mamíferos, incluindo cães e gatos, possuem um sistema endocanabinoide.
Ele é formado por receptores, substâncias produzidas pelo próprio
organismo e enzimas envolvidas em sua produção e degradação.
Esse sistema participa da modulação de diferentes processos
fisiológicos, entre eles a percepção da dor, a resposta inflamatória,
a atividade neurológica, o apetite e a manutenção do equilíbrio interno
do organismo.
Fitocanabinoides presentes na planta, como o CBD e o
tetraidrocanabinol, conhecido como THC, podem interagir direta ou indiretamente com esses mecanismos.
Isso não significa, entretanto, que qualquer produto de cannabis
produzirá o mesmo efeito. A resposta depende da composição, da concentração, da via de administração, da espécie, da condição clínica e das características individuais do animal.
Produtos descritos apenas como “óleo de cannabis” podem apresentar
composições muito diferentes, como isolados, broad spectrum ou full spectrum. Para avaliar os benefícios de cada um,
o médico-veterinário precisa conhecer a concentração dos canabinoides, os demais componentes da formulação e a procedência do produto utilizado.

Onde estão as principais pesquisas?
Osteoartrite, dor, epilepsia, comportamento e cuidados paliativos
Em quais condições a cannabis vem sendo estudada?
A maior parte das pesquisas clínicas veterinárias disponíveis envolve cães. Entre as áreas mais investigadas estão a osteoartrite, a dor crônica e a epilepsia.
Também existem estudos exploratórios sobre comportamento, doenças dermatológicas e outras aplicações.
Osteoartrite e dor
Ensaios clínicos observaram melhora de alguns indicadores de conforto, atividade ou mobilidade em cães.
Epilepsia canina
Alguns estudos encontraram redução na frequência ou nos dias com convulsões quando o óleo de cannabis full spectrum foi utilizado como tratamento complementar aos anticonvulsivantes convencionais.
Ansiedade e comportamento
A área desperta interesse e pesquisas recentes apontam que o óleo full spectrum seja eficaz para quadros de ansiedade, medo, estresse ou agressividade.
Cuidados paliativos
O uso pode ser considerado dentro de um plano individual de
controle de sintomas e qualidade de vida. Isso não substitui o tratamento da doença principal.
Significa que um estudo encontrou sinais de possível benefício, mas que ainda podem ser necessários trabalhos maiores, com mais
animais, formulações padronizadas e maior tempo de acompanhamento.
O que os estudos encontraram sobre osteoartrite?
A osteoartrite é uma doença degenerativa que pode provocar dor, rigidez e redução da mobilidade. Por ser frequente em cães idosos, tornou-se uma das principais áreas de investigação dos canabinoides na medicina veterinária.
Estudos clínicos controlados relataram melhora de alguns escores de dor, atividade, conforto ou qualidade de vida em cães que receberam óleo full spectrum.
Um ensaio clínico publicado em 2020 observou redução da dor e melhora da mobilidade em determinados grupos avaliados.
Uma revisão sistemática publicada em 2023 concluiu que o CBD pode reduzir escores de dor.
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